Faturamento das micro e pequenas empresas volta ao patamar de 2009

SENAC-SP – Receita tem nova queda em novembro de 2015, chega a R$ 47,6 bilhões e está em nível praticamente igual ao de seis anos atrás, quando o Brasil sofria os efeitos da crise financeira mundial.

O faturamento das micro e pequenas empresas (MPEs) do Estado de São Paulo voltou ao nível de seis anos atrás.

Segundo a pesquisa Indicadores Sebrae-SP, em novembro de 2015 o universo das MPEs paulistas registrou receita total de R$ 47,6 bilhões, praticamente a mesma receita de setembro de 2009, que foi de R$ 47,5 bilhões (em R$ de novembro de 2015), quando o Brasil sofria os efeitos da crise financeira mundial.

Em novembro de 2015, o faturamento real (já descontada a inflação) das MPEs do Estado caiu 15,9% em relação ao faturamento de novembro de 2014. Também foi o pior resultado para um mês de novembro desde novembro de 2008.

O desempenho ruim fez com que as expectativas para o início de 2016 sejam as mais pessimistas da série histórica da pesquisa de expectativas, iniciada em maio de 2005.

Segundo o Sebrae-SP, os resultados de novembro de 2015 são reflexo da economia enfraquecida, principalmente do baixo nível de confiança dos consumidores e da piora do mercado de trabalho. Nem a perspectiva do pagamento da primeira parcela do 13º salário animou o consumo.

Pesaram ainda para inibir a ida às compras, a elevação dos preços dos alimentos e o nível de endividamento de parte das famílias. Como as MPEs dependem muito do mercado interno, a retração deste impacta fortemente nos ganhos dos negócios de pequeno porte.

Na análise por setores, as MPEs da indústria registraram recuo de 14,9% no faturamento em novembro de 2015 na comparação com igual período de 2014. No mesmo confronto, o comércio viu o faturamento cair 13,7% e os serviços sofreram uma redução de 18,8% na receita real.

A comparação entre novembro de 2015 e novembro de 2014 revelou retração de 20,6% no faturamento das MPEs da Região Metropolitana de São Paulo. No município de São Paulo, o declínio na receita foi de 18,2% e no interior a queda ficou em 10,6%. Porém, o tombo maior apareceu no faturamento das MPEs do Grande ABC, de 31,3%.

Neste caso, a diminuição mais acentuada ocorreu por causa da base de comparação, já que em novembro de 2014 as MPEs da região tiveram aumento de 3% na receita real sobre novembro de 2013 – na época, o Estado apesentou queda de 5,7% na média, na mesma comparação.

No acumulado do ano, de janeiro a novembro, as MPEs tiveram aumento de 1,5% no total de pessoal ocupado (sócios-proprietários, familiares, empregados e terceirizados) ante igual período de 2014. No entanto, mesmo com mais gente empregada nesses empreendimentos, a folha de salários (salários e outras remunerações) paga pelas MPEs encolheu 3,2% e o rendimento real do empregado ficou 3,1% menor no mesmo intervalo.

Os números minaram as expectativas dos donos de MPEs para o primeiro semestre de 2016: apenas 20% deles acreditam em aumento de faturamento da empresa (eram 25% em dezembro de 2014). Já 13% falam em queda ante 10% de um ano antes. Os que confiam que haverá estabilidade são 56%; em dezembro de 2014 esse grupo era de 57%.

Sobre a economia brasileira, somente 15% pensam que o nível de atividade irá melhorar – em dezembro de 2014 eram 17%. Para 34%, haverá piora nos próximos seis meses (eram 29% um ano antes) e 41% creem em estabilidade contra 45% em dezembro de 2014.

MEI – Microempreendedores Individuais

Em novembro de 2015, os Microempreendedores Individuais (MEIs) paulistas registraram queda de 18,2% no faturamento real na comparação com novembro do ano anterior. Os MEIs do comércio tiveram as maiores perdas: -29,3%, seguidos pelos da indústria, -20,5% e os de serviços, -4,5%.

Quanto às expectativas para os próximos seis meses, os MEIs são relativamente mais otimistas que os proprietários de MPEs. Em novembro de 2015, a maior parte, 43%, dos MEIs espera aumento para seu faturamento nos próximos seis meses. No entanto, esse porcentual já foi maior: em dezembro de 2014 eram 50%. Uma parcela de 33% aguarda estabilidade no faturamento, mesmo porcentual de um ano antes. Para 18% haverá piora (eram 15% em dezembro de 2014).

Em relação à economia brasileira, os MEIs estão um pouco mais pessimistas que os proprietários de MPEs. Em dezembro de 2015, a maioria (43%) espera piora nos próximos seis meses (eram 29% um ano antes). Já 28% aguardam estabilidade (ante 34% em dezembro de 2014). Diminuiu a parcela dos que esperam melhora na economia: de 36% em dezembro 2014 para 23% em dezembro 2015.

A pesquisa

A pesquisa Indicadores Sebrae-SP foi realizada com apoio da Fundação Seade. Foram entrevistados 1.700 proprietários de MPEs do Estado de São Paulo e 1.000 MEIs durante o mês de referência.

No levantamento, as MPEs são definidas como empresas de comércio e serviços com até 49 empregados e empresas da indústria de transformação com até 99 empregados, com faturamento bruto anual até R$ 3,6 milhões.

Os MEIs são definidos como os empreendedores registrados sob esta figura jurídica, conforme atividades permitidas pela Lei 128/2008. Os dados reais apresentados foram deflacionados pelo INPC-IBGE.

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